Nicolau Breyner: O grande actor português

terça-feira, março 15, 2016

Créditos da imagem: aqui.
" Meus senhores...A missão de um actor é simplesmente emocionar as pessoas. Levá-las ao sorriso ou às lágrimas. Fazer com que nos odeiem ou nos amem. Enfim... É fazê-las sonhar. Quando isso acontece a vossa missão está cumprida."

       João Nicolau de Melo Breyner Moreira Lopes deixou-nos segunda-feira, dia 14 de Março, tinha ele 75 anos de vida. Este foi uma das notícias mais tristes que ouvimos nos últimos tempos. Uma pessoa que acompanhou grande parte dos nossos serões e até o dos nossos pais. Deu voz a personagens de televisão, teatro e cinema e até dobragens como quando encarnou a personagem Gru, do filme Gru, o Maldisposto. 
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     Já imaginaram que provavelmente daqui a 10 anos vamos estar a falar com alguém que não vai saber quem foi este enorme senhor? Ou, quem sabe, se calhar sim. 55 anos dedicados à representação, à arte de emocionar, não desaparecem numa década. Trabalhou até ao fim dos seus dias onde teve muitas participações em novelas, (fazia ainda parte do elenco da novela Impostora para 2016!) cinema, tão recente como 2014 no filme "A Teia de Gelo" e tão antigo como 1961, onde se estreou no cinema em "Raça". Foram mais de 50 séries e programas de televisão e cerca de 40 filmes realizados.
 " 20 anos a fazer comédia e outros 20 a fazer drama".


       Contribuiu para a realidade televisiva de hoje. A primeira novela portuguesa contou, em grande medida, com um grande impulso seu. Traduziu-se em "Vila Faia", em 1982, onde Nicolau Breyner interpretou João Godunha, papel através do qual saltou para a ribalta televisiva.  
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"Não tenho nada contra os brasileiros e o seu trabalho, estava um pouco cansado da ideia de que eles eram os bons e que nós não prestávamos. Achava isso uma imensa injustiça e, um dia, pensei: «Porque não fazer uma novela?»

       Mais recentemente entrou nos nossos radares televisivos através de inúmeras comédias como " Aqui não há quem viva" - o Presidente do condomínio. Quem se lembra? Ou ainda na série televisiva " Os Compadres", onde contracenou com Fernando Mendes, numa história entre dois vizinhos que se juntam para ter sorte ao jogo e ganharem a lotaria! A comédia! Eu (Ele) sempre adorei este actor e a sua voz imponente. Adorei vê-lo em Equador onde encarnou Mário Maltez, o grande vilão.
Nicolau Breyner em "Equador".
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       Eu (Ela), apesar de não ser grande fã de novelas, adorava os papéis por ele protagonizados, como por exemplo em o Beijo do Escorpião, onde protagonizou uma personagem em profundo conflito entre deveres e constrangimentos morais e aquilo que era realmente importante, a sua felicidade e a da família. Também eu (Ela), adorei a série "Aqui não há quem viva", onde nunca mais me esqueci da sua deixa: BAILE? A MIM NINGUÉM ME DÁ BAILE! Ahah.
"Como passsa Sr. Contente?
Como está meu caro e amigo e Sr. Feliz?
Diga à gente, Diga à gente,
Como vai este país..."
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       Encheu os corações dos nossos avós que ainda se lembram do célebre Senhor Feliz e Senhor Contente, logo depois do 25 de Abril; encheu o dos nossos pais com as primeiras aparições em novelas e séries como Show Nico, Nico D'Obra, Gente Fina é Outra Coisa ou Fúria de Viver; e os nossos com dobragens, comédias, dramas, televisão e cinema. Foi distinguido com uma Ordem de Mérito em 2005 pelo presidente da república, o que sumariza bem a sua vida.

       Por toda uma vida dedicada à arte da representação e à constante procura de transmitir ao público emoções, nós queremos apenas deixar-te esta sentida mensagem:

Missão Cumprida.

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8 comentários

  1. Um grande senhor sem dúvida... Agora cabe a cada um de nós fazer com que ele seja lembrado como voces dizem... daqui a 10anos, ou mais :)

    Se forem amantes da leitura tenho um post no meu blog que vos pode interessar: http://sempre-miuda.blogspot.pt/2016/03/intercambio-cultural.html

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    1. Precisamente. Foi como alguém mencionou na televisão: a pessoa só morre se for esquecida. E Ele nunca será esquecido.

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  2. Um dos nomes icónicos de Portugal! Como sempre os bons partem cedo demais.

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    1. Como o saudoso Hermán mencionou: devíamos todos viver 400 anos como as tartarugas. Mas para ele nem 1000 anos chegavam". Nós achamos que ele tinha a sua razão.

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  3. Estamos mais pobres, cada vez mais. Mas este, como Ana Bola, disse, partiu sem aviso, deixou um espaço vazio, era um senhor e dos bons!

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    1. Sem dúvida cada vez mais pobres. Sentimos que personagens como Nicolau que se traduzem em identidade nacional, de uma forma ou de outra, vão desaparecendo. É triste mas há que dar continuação aos seus esforços.

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  4. Respostas
    1. Nós também ficámos. Foi super inesperado. Acho que isso foi o mais estranho de tudo. A ideia de que uma pessoa que ultrapassou o cancro com a agilidade com que ultrapassou e de repente, acabou. Foi estranho e mau para todos :/

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Obrigado pelo comentário! Vamos responder-te no mais breve espaço de tempo que nos for possível. Até sempre! :)

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