#24 Filmes a ver, pelo menos, uma vez na vida: O Amigo Gigante (2016)

quarta-feira, maio 24, 2017

        Este é um daqueles filmes para miúdos e graúdos, que nos faz soltar a criança que há dentro de nós. Fomos ver os dois juntos este filme. Aliás, desde que nos conhecemos que só vamos ao cinema se for os dois... Porque será?! ahah. Mas este filme tem uma história que não é nada fácil de contar. Por isso esta publicação é só escrita por um. Se a querem desvendar, vão ter que ler a publicação até ao fim...

        The BFG, na abreviatura da tradução inglesa, e O Amigo Gigante, na tradução portuguesa, conta-nos a história de uma criança que, num lar de órfãos, descobre que no mundo existem seres muito, muito diferentes do que os terrestres. O seu melhor amigo é um gigante que a leva para o mundo onde os gigantes comem humanos. A certa altura, os gigantes canibais descobrem que há um mundo inteiro no planeta Terra com muitos seres dos que gostam de comer. É a pequena criança e o seu melhor amigo que mudam tudo. Esta é uma história que pareceu previsível a muitos. Nós vimos muito mais para além disso. Vimos uma história onde nos ensinam que não importa o teu aspecto, não importa de onde vens, o que esperam que faças da tua vida, mas sim o que tu procuras e queres ser. Tudo pode acontecer. Na tua vida, quem manda és tu! E há que valorizar todos os pormenores da vida. Afinal, até o nosso melhor amigo poderá ser alguém que outrora chega a pensar em matar-nos... Bom, não queremos amigos assim, mas sim dos que nos salvam e este também salvou, isso é que interessa!! Esta é uma história envolvente e especial, para toda a família.

         Podem ver o trailer aqui.

         Ah e tal, mas se o filme é tão bom e se o foram logo ver ao cinema, qual a razão para não nos recomendarem logo este serão perfeito em família? Porque existe uma história, um momento que este filme marcou. Eu (Ela, a Telma) perdi um amigo que também considerava gigante por ser tão especial para mim. Vínhamos a sair do cinema quando recebi um telefonema a dizer que um amigo tinha morrido. Um amigo que morreu sem perceber o quão especial era para mim, embora eu procurasse sempre demonstrar...
        Como já contámos os dois, aqui, eu fiz voluntariado numa associação de apoio a sem-abrigo e pessoas carenciadas no concelho onde vivo, desde os meus 15 anos. Desde essa altura que o conhecia. Ele era um utente que ajudávamos. Alguns vão dizer que era injusto eu tratá-lo de forma especial. Há uma regra que nos obriga a tratar todos de igual forma. Tem que ser assim. Ali e em qualquer lado. Afinal, o privilegiar pela positiva é um acto que outros vão encarar de forma negativa. Não se quer confusões. É facto. Contudo, também é um facto que é impossível agradarmos a todas as pessoas e que todas as pessoas nos agradem a nós. Daí que, como em qualquer trabalho, seja importante tratarmos todos bem, mas não se enganem ao achar que vão tratar todos de igual forma. Vão sempre gostar mais de uns que outros. É a natureza humana. Enfim, não conhecemos aquelas pessoas, mas estamos dispostos a ajudar, não importando o seu passado. A verdade é que não o conhecia plenamente, mas sentia e sabia bem o seu bom coração. Era atrevido e não estava nos seus vinte anos, não pensem... A juventude está na cabeça de cada um!
        Por muitos erros que possa ter cometido, para mim ele era especial. Lembro-me de uma situação onde alguém com problemas psicológicos, com passado criminal mais pesado, leva dois cães para a zona onde estávamos a distribuir comida e faz com que todos os voluntários saiam da sala para evitar o pior. Saem eles e o meu amigo, que na altura era mais uma pessoa na sala, no meio de tantas. Todas as pessoas importam muito, senão achássemos isso, nem os estaríamos a ajudar. Por isso mesmo quando vi pessoas a levantar-se e já com facas na mão, nem pensei no que poderia acontecer e actuei. Fiz com que se sentassem e acabou. Tive que ser firme e pensar que só queria que todos estivessem bem. Claro que tive medo do que poderia acontecer, só que só houve tempo para isso depois. A minha mãe estava junto ao maluco. Tudo acabou bem quando acabou bem. Mas para ele não assim tão bem. Meteu-se à frente dos cães e um deles mordeu-o. Na altura só o queria proteger. Ele arriscou a vida dele pelas pessoas que ali estavam. Ele era especial, eu disse-vos! Não vou contar mais pormenores sobre o louco em causa ou sobre aquelas pessoas que ajudamos. Todos cometemos os nossos erros. Não importa nada disso. O que importa é que vos quero apresentar este meu amigo especial. Pensava nele tantas, tantas vezes... Quando mudei para o trabalho onde me encontro actualmente deixei de poder pertencer à associação. Tenho mesmo muita pena disso, mas admito que não sei como seria não o ver por lá, agora. Não sei como é ir a Vila Franca de Xira e não o ver. É que sempre que lá ia eu queria vê-lo. Era meu amigo. Era especial. Era muito meu.
        Ele era sempre tão divertido... E sempre o último a abandonar o local. Tinha sempre muito que falar. E eu adorava falar com ele. Distraída como sou, também foi com ele que tive a conversa que até hoje mais me deu vontade de me bater. Perguntou-me como tinha sido o meu Natal. Respondi-lhe e ele insistiu na conversa e eu distraída e parva, respondi e acrescentei "e o seu?" (sim, ele insistia sempre para o tratar por tu, mas nunca consegui). Foi um murro no estômago quando ele me despertou com a resposta "foi bom, deram-me um chouriço e comi com pão, sozinho por lá". Para ele foi tudo normal e até pareceu simpático perguntar. Para mim foi magoá-lo e era tudo o que não queria. Outra vez sofreu um acidente e eu fui visitá-lo ao hospital. Levei-lhe livros, sabia que gostava. Não uns quaisquer. Levei o Henry Miller que ele tanto gostava. Estava sempre a dizer isso e foi algo tão simples e tão mais positivo para mim que para ele. Não sei se ele algum dia teve noção disso. Do quão importante foi e é para mim, mas gostava que soubesse. Por isso mesmo escrevo esta publicação. De alguma forma gostava de saber que desabafei isto de forma a que ele soubesse, mas tal não é possível... A última vez que estive em Vila Franca foi no funeral. Agora vou voltar quando for a altura das festas. Sei que ele gostava muito dessa altura. Sei que é um espaço dele e que gosto de o recordar. Ele era o meu amigo gigante e nem sabia...


6 comentários

  1. Que texto lindo e emocionante, Telma!
    Certamente que ele tinha noção do quão era especial para ti e quanto o fizeste feliz! :)
    Vamos acreditar que está num sítio melhor, sempre de "olho em ti"! :P

    A Marca da Marta

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    Respostas
    1. Espero que sim. E há que acreditar que a vida não é só isto e que nos possamos voltar a encontrar :)

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  2. Ainda não tivemos oportunidade de ver. Mas sem duvida está no nossa lista :)
    Beijinhos**
    _________________________
    All The way is an adventure
    Jess & Rose Blog | Instagram | Youtube

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  3. Fiquei sensibilizada...já ajudei associações de sem abrigo e a tua história tocou-me <3 Quanto ao filme, espero vê-lo.

    https://nobresonho.blogspot.pt/

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Obrigado pelo comentário! Vamos responder-te no mais breve espaço de tempo que nos for possível. Até sempre! :)

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