#4 Crítica à Sociedade: Animais de estimação vão poder ir a restaurantes. E então?

terça-feira, outubro 24, 2017
       Tentámos combater a nossa vontade de escrever sobre o assunto. Normalmente não temos problemas em escrever ou dizer o que quer que seja, mas desta vez, por nos ser um assunto tão sensível e tão mediático, tentámos apaziguar, mantendo-nos à distância... Até que percebemos que isso não seríamos nós. Não faria sentido. Por isso, preparem-se que o texto foi escrito num ápice, com todo o sentimento à flor da pele e as letras só se pararão de juntar no final, com dificuldade!

       Escusado será dizer que somos amantes de animais, que isso qualquer pessoa que agora chegue ao blogue percebe mais que não seja através da imagem que nos caracteriza. Cá segue então a opinião de quem tem uma amostra de cadela que é uma peste, e dois gatos que em muito são diferentes: A lei que permite que os proprietários de estabelecimentos públicos aceitem ou não a visita de um animal de estimação ainda não está em vigor, faltando acertar pormenores relativos às condições em que se poderá ou não levar o(s) patudo(s), mas os mexericos e as vozes de revolta já se fazem notar aos gritos.


  • "Já viram o que é comer com um animal ao lado" podemos ler pela internet e ouvir nos telejornais. Sim, já vimos. Aliás, vemos todos os dias já que dividimos o nosso apartamento com mais 3 patudos que estão sempre colados a nós. Ter-se um animal de estimação doméstico não é o mesmo que adoptar um cavalo que se coloca no estábulo e que lá fica quando come e dorme. É dividir o espaço. É como um filho, mas de quatro patas, com outras necessidades e comportamentos. E isto levanta outras questões...
  • "Vamos estar a comer e a ter que ouvir o cão latir ou vê-lo a fazer xixi ou mesmo a querer subir para as pernas... ou pior!". Certo... E nós, que não temos filhos (e que, possivelmente, não vamos querer ter), temos que aturar as birras dos filhos dos outros, com berros estridentes; também fazem xixi; também vêm ter connosco, não tendo trela como terão os cães, sem nós querermos. Podemos não querer conviver com crianças, mas de nada nos serve essa vontade ou falta dela, porque somos obrigados a conviver. Chama-se sociedade ou civismo (ou, neste caso, falta dele).
  • "Mas há cães bem tratados e outros que cheiram mal e têm doenças". Também há muitas pessoas com doenças contagiosas; também há, infelizmente, muita, muita gente que não conhece sequer a palavra "desodorizante", mas nós temos que aceitar o facto e não podemos andar por aí a proibir pessoas de entrar em espaços públicos, certo? Já chegámos a sair de transportes públicos por não suportar o cheiro de outras pessoas. Acontece... Não deveria, mas acontece. Tudo depende do civismo existente nas pessoas, ou da falta dele. Serve para pessoas ou animais. Da mesma forma que os pais não educam os filhos e os outros é que pagam, o mesmo acontecerá com cães.


  • "Isto é mau para os restaurantes. Eu vou deixar de os frequentar". Serão os donos dos respectivos estabelecimentos a decidir se querem aderir e deixar os animais de estimação entrar ou não. Não vão ser todos os restaurantes e cafés a aderir, não se preocupem. Há locais para todos e vai continuar a haver. Há espaço para todos nesta Terra. Relembramos que também já existem hotéis em que é proibida a entrada de crianças pelo ruído e incomodo que possam causar aos seus frequentadores. O mesmo se vai verificar neste caso. 
  • "Não vou ao restaurante para um bulldog se estar a babar para cima de mim". Por acaso ainda no outro dia estávamos a comer na esplanada do Vasco da Gama e havia uma criança a ser ensinada a espantar os pombos e gaivotas. Não vamos referir o ensinamento. Vamos referir que a criança invadiu o nosso espaço para o fazer. Que saibamos há que respeitar o espaço do outro. O ar é de todos, mas não é por isso que temos que andar todos uns em cima dos outros, certo?! O mesmo se passa com os animais. E os animais são como as crianças: têm que ser ensinados!

       Poderíamos escrever muito mais, mas vamos estar a repetir-nos. A questão é que cada um tem que ter o discernimento de se saber comportar em civilização. Há que saber respeitar as regras que nos permitem a todos viver em sociedade, sem perturbar a liberdade do outro. Pensemos com clareza, vejamos as coisas como elas são, por favor! Tenham consciência das barbaridades que dizem e respeitem o próximo. Sejam felizes e não se importem tanto em ser mesquinhos. Há assim tanto mal em frequentar o mesmo espaço que um cão? É que todos os dias respiram o mesmo ar que violadores, assassinos, ladrões, e não se queixam. Têm conhecimentos de vítimas de violência doméstica e nada fazem. Mas importam-se assim tanto em dividir um espaço público com um animal de estimação?! Fica aqui a nossa mensagem e perspectiva. Contemplem-na e e talvez comecem a ver as coisas com mais naturalidade.


O que pensam vocês sobre este assunto?


6 comentários

  1. Sem tirar nem por! Concordo a 100% com a vossa opiniao, ainda bem que há pessoas com este pensamento, e é de lamentar que haja tanta gente com esse tipo de opiniões sobre animais quando os proprios filhos comportam-se pior que os animais em publico!! Obrigada por este texto tao bom. Bjinhos para os dois

    MM, Viana do Castelo

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    1. Muito obrigado pela partilha de opinião! Não temos que ter medo de dizer o que pensamos. Temos que nos respeitar uns aos outros. Há que ter civismo! Há que saber partilhar o espaço e achamos que as pessoas que tanto se incomodam com esta nova lei são as mesmas que têm dificuldade em dividir o espaço de forma civilizada...

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  2. É uma questão de bom-senso! De perceber como são os nossos animais e se se adequam ao espaço onde queremos ir. Seja pelas condições dos mesmos, seja pelas pessoas que sabemos que estarão por lá. E isto também é uma forma de os protegermos a eles (animais). Aquilo que eu acho é que uma lei que até podia ser muito positiva, vai acabar por ter consequências contraditórias por causa das pessoas

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    1. Mas é exactamente isso: as pessoas é que ditam se esta lei será produtiva ou não, não serão com toda a certeza os animais que lá estarão que não têm culpa nenhuma mesmo. Há é que saber viver em sociedade. A partir daí tudo se faz bem e com carinho!

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  3. Pessoalmente acho fantástico! E concordo totalmente com o que escreveram, sem tirar nem pôr.
    Beijinhos, The Fancy Cats

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    1. Obrigado pela partilha de opinião! É importante divulgarmos o que achamos. Por vezes as pessoas podem não estar a ver com clareza do que se trata e é importante partilharmos opiniões.

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Obrigado pelo comentário! Vamos responder-te no mais breve espaço de tempo que nos for possível. Um bem-haja! :)